quinta-feira, 22 de Julho de 2010

Artigo 19
Centenário da Implantação da República (1910-2010)
Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010





VINTE ESCUDOS





O famoso teólogo e pregador Santo António de Lisboa é a figura evocada nesta chapa. A estampagem das notas foi efectuada pela casa inglesa Bradbury, Wilkinson Co Ltd., New Malden, Surrey, segundo maquetas iniciais de autoria do arquitecto João de Sousa Araújo. As duas estampagens calcográficas de frente mostram; a verde musgo, o retrato de Stº. António, que teve como modelo um pormenor de um quadro de Frei Carlos, existente no Museu Nacional de Arte Antiga, dísticos e um ornato central que simboliza o célebre Sermão aos Peixes; e a castanho-escuro uma faixa de desenhos ondulados cruzados e um ornato com palmas. No verso tem uma estampagem calcográfica, a verde musgo, com a vinheta representando a Igreja de Santo António de Lisboa, envolvida em ornatos de palmas. O papel foi fabricado por Portals Limited, Laverstoke Mills, Whitchurch, Hants, apresenta em marca de água, visto à transparência pela frente, no lado esquerdo, o retrato de Santo António. Dimensões das notas 135 x 66 mm. Foram emitidas 229 100 000 notas com a data de 26 de Maio de 1964. Primeira emissão, 19 de Janeiro de 1965 e última emissão, em 31 de Outubro de 1977. Foram retiradas de circulação em 31 de Dezembro de 1982.
Biografia:
Santo António de Lisboa ou Santo António de Pádua, nasceu na cidade de Lisboa, pensa-se que no ano de 1195 e faleceu na cidade de Pádua (Itália) em Junho de 1231; de seu nome de baptismo Fernando Martim de Bulhões e Taveira Azevedo, filho de Martim de Bulhões e de Maria Teresa Taveira Azevedo; era também conhecido por Santo António de Pádua porque aí viveu e aí faleceu, sendo que na religião católica os santos eram conhecidos pelo nome da cidade onde faleceram.
Santo António fez os primeiros estudos na Igreja de Santa Maria Maior (hoje Sé de Lisboa), ingressando na Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de São Vicente de Fora, como noviço no ano de 1211. Por este convento permaneceu cerca de três anos, tendo ingressado com a idade de 18 ou 19 anos no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde estudou Direito Canónico, Filosofia e Teologia. No ano de 1220 troca a Regra de Santo Agostinho pela Ordem de São Francisco, recolhendo-se nos Olivais em Coimbra e mudando também o nome para António. No ano de 1221 embarca para Marrocos em acção de evangelização, mas foi acometido de grave doença, sendo repatriado para Portugal. No regresso uma tempestade assolou a embarcação e esta arrastou o barco para as costas da Sicília. Aqui, em Itália os seus discursos notabilizam-no como um exímio teólogo e belíssimo pregador. No ano de 1222, dissertando para religiosos Franciscanos e Dominicanos de forma admirável, o Provincial da Ordem de imediato o destinou à evangelização. Neste mesmo ano conheceu Francisco de Assis, sendo nomeado pregador da Ordem. Em 1225 segue para França, estalando-se em Toulouse como pregador, desenvolvendo as suas aptidões de orador a tal ponto que lhe é confiada a guarda do Convento de Puy-en-Velay e a guarda da província de Limoges. Pouco depois instala-se em Marselha mas por pouco tempo, pois foi escolhido para Provincial da Romanha. No ano de 1226 morre Francisco de Assis e Santo António volta a Itália. No ano de 1228, assistiu à canonização de São Francisco. Na Basílica de São João de Latrão, em Roma, pregou diante do Papa Gregório IX. Nestes mesmo ano desloca-se a Ferrara, Bolonha e Florença, continuando com as suas pregações. No ano de 1229 divide-se entre Varese, Bréscia, Milão, Verona e Mântua pregando com tal intensidade e cativando cada vez mais crentes, que o absorvia de tal maneira que se dedicou exclusivamente a ela. No ano de 1231 conclui a redacção dos “Sermões Festivos”. Neste mesmo ano após contactos com o papa Gregório IX, regressou a Pádua, bastante doente, vindo a falecer a 13 de Junho de 1231 no Oratório de Arcela, com a idade de entre 36 a 40 anos de idade. Os seus restos mortais repousam na Basílica de Pádua, construída em sua memória. O papa Gregório IX, canoniza-o na catedral de Espoleto no ano de 1232. Foi proclamado doutor da Igreja pelo papa Pio XII, no ano de 1946. São suas atribuições – o livro, o pão, o Menino Jesus e lírio. É o padroeiro da cidade de Lisboa e da cidade de Pádua, dos pobres, das mulheres grávidas, dos casais, das pessoas que desejam encontrar objectos perdidos, dos oprimidos, etc… O dito popular quando se faz um pedido ao Santo, assenta na seguinte frase: “Valha-me Santo António”. Foram erigidas Igrejas com o seu nome em Pádua, Roma e Lisboa. O dia 13 de Junho, data do seu falecimento, é a data da festa litúrgica.

F I M
Bibliografia: “ O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal. Wikipedia.e trechos avulsos.
Publicado no Jornal das Caldas em 21-07-2010

quarta-feira, 16 de Junho de 2010


Artigo 18
Centenário da Implantação da República (1910-2010)
Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010

VINTE ESCUDOS




Chapa 6

Na sexta nota, onde foram atribuídas duas chapas, com os números 6 e 6A, foi relembrada a figura de D. António Luís de Meneses, Conde de Cantanhede e Marquês de Marialva. Figura ímpar na Guerra da Restauração, foi um dos conjurados de 1640.
A estampagem da nota foi elaborada pela firma inglesa Bradbury, Wilkinson & Co. Ltd., New Malden Surrey. A frente da nota apresenta duas estampagens calcográficas (talhe doce); uma a roxo que engloba o retrato de D. António Luís de Meneses e a legenda Banco de Portugal, outra, a verde, com trabalho guilhoché em linha branca, cabeça numismática simbolizando a República. O verso apresenta uma estampagem calcográfica, a verde escuro com trabalho de guilhoché em linha branca. O fundo multicolor irisado, tem um ornato central, onde se observa uma impressão técnica duplex, envolvendo o emblema do Banco. Foi a primeira nota portuguesa a utilizar um filete de segurança metalizado introduzido no próprio papel. Esta nota foi a que mais tempo circulou cerca de trinta e sete anos. O papel foi fabricado pela firma inglesa Portals Limited, Laverstoke Mills, Whitchurch, Hants, tendo como característica principal o já citado filete de segurança, disposto na vertical, e a marca de água quando vista de frente e à transparência, no lado esquerdo uma cabeça de homem, de perfil para o centro. Mais tarde e devido aos custos, o filete de segurança deixou de ser fabricado em material metálico e passou a ser fabricado num outro material. Dimensões da nota 135 x 76 mm. Foram emitidas 184 366 000 notas com a chapa 6, e datadas de 28 de Janeiro de 1941, 29 de Agosto de 1944, 13 de Agosto de 1946, 27 de Julho de 1948, 28 de Junho de 1949, 26 de Junho de 1951, 25 de Maio de 1954, 27 de Janeiro de 1959. Primeira emissão, 19 de Dezembro de 1941 e a última em 2 de Janeiro de 1961. As notas com a chapa 6A, tiveram a emissão de 21 618 000 notas, com a data de 26 de Julho de 1960. A primeira emissão, 26 de Janeiro de 1962 e a última a 11 de Janeiro de 1965. Foram retiradas de circulação em 30 de Junho de 1978, conjuntamente com as notas do mesmo valor Chapa 6.
Biografia:
Dom António Luís de Meneses, 1º. Marquês de Marialva e 3º. Conde de Cantanhede nasceu em 13 de Dezembro de 1596 e faleceu em Agôsto de 1675; foi um fidalgo de alta linhagem, General do exército, Conselheiro de Estado e de guerra, Vedor da fazenda Real, Ministro do despacho, Governador das Armas de Lisboa, Setúbal, Cascais e Estremadura, e Capitão General da província do Alentejo Foi considerado o general que mais se distinguiu na Guerra da Restauração (1640). Era filho do 2º. Conde de Cantanhede, de quem herdou o título, D. Pedro de Meneses e de sua mulher D. Constança de Gusmão, filha do 1º. Conde de Vila Franca, Rui Gonçalves da Câmara. Como podemos depreender era oriundo da mais alta fidalguia de então.
Casou em 1635 com D. Catarina Coutinho, filha e herdeira de D. Manuel Coutinho, senhor da Torre do Bispo. Deste casamento adveio farta geração, composta por dois filhos e sete filhas.
Após a Revolução do 1º.de Dezembro de 1640, diversas lutas se travaram, provocadas pelos exércitos castelhanos, que à viva força pretendiam passar as fronteiras; o conde de Cantanhede aí se distinguiu, tomando parte activa nas lutas, com grande arrojo e valentia. Foi nomeado coronel, quando se realizou a aclamação de D. João IV como rei de Portugal. No ano de 1641, quando o coronel Conde de Marialva, regressa a Cascais, o rei quis compensá-lo pelos nobres serviços prestados à Pátria, dando-lhe um lugar de maior relevo e confiança na Corte, o qual rejeitou de imediato, invocando que a sua carreira era iminentemente a das armas. Quando necessário o reforço e guarnição das fronteiras, recorria-se sempre ao valioso e prestigioso auxílio de D. António Luís de Meneses. No ano de 1656 faleceu o rei D. João IV, sem que o D. António tivesse tomado algum lugar de destaque na Corte, pelas razões atrás invocadas. No ano de 1658, o Governador da praça de Elvas, D. Sancho Manuel, vê-se cercado por uma força de 3 000 homens comandados pelo general castelhano D. Luís Mendes de Haro. A rainha D. Luísa de Gusmão, regente do reino por menoridade de D. Afonso VI, escreveu uma carta ao Conde solicitando os seus préstimos para auxiliar aquela sitiada praça de Elvas. D. Luís de Meneses, acudiu ao chamamento da rainha e de imediato reuniu todas as tropas possíveis deslocando-se de imediato para Estremoz, local do quartel-general. No início do ano de 1659, após uma marcha de dois dias aí estava o conde de Cantanhede com o seu pequeno mas aguerrido exército, colocando-se à frente das linhas de Elvas, o qual após uma grande e memorável batalha, no dia 14, saiu vitorioso. Foi a batalha que maiores glórias lhe granjeou. No ano de 1661 após a recepção de muitas mercês, foi também agraciado com o título de Marquês de Marialva. Neste ano de 1661, a cidade de Évora é tomada por D. João de Áustria, pelo que houve necessidade urgente de se proceder a reforços, recaindo mais uma vez na figura do Marquês de Marialva, que conjuntamente com as forças de Dom Sancho Manuel, governador de Évora, retomaram de imediato a cidade. Também neste ano tomou Valência de Alcântara, uma das principais praças fortes da Estremadura espanhola. No ano de 1665, estando em Estremoz, vem tomar Vila Viçosa que entretanto tinha sido sitiada pelos espanhóis; após esta vitória é surpreendido pelo general Carracena em Montes Claros, travando-se aí renhido combate, que foi mais uma vitória para o Marquês, e a última coroa dos seus triunfos militares. Perante a derrota dos espanhóis estes solicitam a paz, a qual é assinada pelo tratado datado de Fevereiro de 1668, sendo o Marquês um dos plenipotenciários. No ano de 1669 é nomeado procurador das Cortes de Lisboa. Era o Marquês de Marialva senhor das vilas de Merles, Mondim, Cerva, Atem, Ermelho, Bilho, Vilar de Perreiras, Avelãs do Caminho, Leomil, Penela, Póvoa e Valongo; senhor do morgado de Medelo e S. Silvestre; comendador da Ordem de Cristo.
Após a sua morte foi sepultado na vila de Cantanhede.
F I M
Bibliografia: “O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal. Portugal Dicionário Histórico.
Óbidos, 4 de Fevereiro de 2010.
Publicado no Jornal das Caldas em 16-06-2010.

terça-feira, 8 de Junho de 2010







Centenário da Implantação da República (1910-2010)
Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010
Por: Luís Manuel Tudella

VINTE ESCUDOS


Chapa 5

A personalidade escolhida para figurar na chapa 5, foi a de Mouzinho de Albuquerque, oficial do exército português da arma de cavalaria, distinguindo-se superiormente nas campanhas de África.
A frente da nota e sobre o lado esquerdo, apresenta uma reprodução do medalhão do busto de Mouzinho de Albuquerque, e sobre o lado oposto a reprodução do portão do Museu de Artilharia, hoje (Museu Militar de Lisboa). No verso apresenta uma vista do Castelo de Guimarães.
As estampagens das notas estiveram a cargo da casa Bradbury, Wilkinson & Cº. Ltd., New Malden, Surrey. Os desenhos que surgem na frente da nota, a vermelho, foram estampados por processo calcográfico. O fundo impresso tipograficamente em cores esbatidas. No verso, a estampagem calcográfica foi executada directamente no papel. Os ornatos que ladeiam a gravura do Castelo têm trabalhado de torno geométrico. O papel foi fabricado pela casa inglesa Portals Limited, Laverstoke Mills, Whitchurch, Hants. Possui como marca de água vista à transparência e pela frente, sobre o lado esquerdo a cabeça de Mouzinho de Albuquerque, de perfil para fora, e na parte inferior, a legenda Banco de Portugal. Dimensões da nota de 156 x 83 mm. Foram emitidas 38 743 000 notas com as datas de 17 de Setembro de 1929, 7 de Março de 1933, 30 de Julho de 1935, 23 de Abril de 1937, 13 de Maio de 1938 e 27 de Fevereiro de 1940. A primeira emissão é datada de 11 de Setembro de 1931, e a última de 18 de Dezembro de 1941. Foi retirada de circulação em 12 de Junho de 1946.
Biografia:
Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque, mais conhecido por Mouzinho de Albuquerque, nasceu na Quinta da Várzea, no concelho vila da Batalha em 11 de Novembro de 1855, e veio a falecer na cidade de Lisboa em 8 de Janeiro de 1902. Era filho de José Diogo Mascarenhas Mouzinho de Albuquerque e de Maria Emília Pereira da Silva Bourbon.
Após os estudos preparatórios ingressou no Regimento de Cavalaria nº. 4, como praça voluntária, frequentando na Escola Politécnica os cursos preparatórios para ingressar na Escola do Exército. No ano de 1878 termina o curso na Escola do Exército, sendo promovido a alferes. Em 1879, matricula-se na Faculdade de Matemática e Filosofia da Universidade de Coimbra. No mesmo ano casa com a sua prima D. Maria José Mascarenhas de Mendonça Gaivão. No ano de 1882 adoece, tendo abandonado os estudos no 4º. ano, regressando a Lisboa onde ficou inactivo durante 2 anos. É promovido ao posto de tenente e nomeado regente dos estudos do Colégio Militar no ano de 1884. Dois anos após, ou seja, em 1886 segue para a Índia onde ocupa o lugar na fiscalização do Caminho de Ferro de Mormugão. No ano de 1888, foi nomeado Secretário - Geral do Governo do Estado da Índia. É promovido ao posto de Capitão em 1890 e nomeado governador do distrito de Lourenço Marques, cargo que ocupou até 1892. No ano de 1894 faz uma comissão de serviço à colónia de Moçambique, comandando um esquadrão de Lanceiros, que iriam juntar-se às forças de expedição militar com o fim de debelar as rebeliões indígenas. Em 11 de Novembro de 1895,tropas comandadas por António Enes, onde se encontrava Mouzinho, tomaram e incendiaram Manjacaze, a residência principal de Gungunhana, levando-o à fuga. Em 10 de Dezembro do mesmo ano é nomeado governador do distrito de Gaza. Em 28 de Dezembro de 1895, após uma marcha de três extenuantes dias em direcção a Chaimite, as tropas conduzidas por Mouzinho, cercaram a povoação e prenderam o chefe vátua e parte da sua família, forçando-o a entregar diversos bens em ouro, diamantes, marfim, armas, munições e todo o gado. Segundo relatórios de outros militares em particular de Soares de Andrea, informam que a decisão de não oferecer resistência por parte do sitiado era do conhecimento de Mouzinho, o que de facto se verificou. No dia de 6 de Janeiro de 1896, Gungunhana e restantes prisioneiros, foram entregues ao Governador-Geral da colónia para serem enviados para Lisboa. Foi considerado um êxito militar, que cobriu de glória a pessoa de Mouzinho, com ampla difusão na imprensa internacional. Em função desta façanha é nomeado Governador-Geral de Moçambique em Março de 1896 e em Novembro do mesmo ano foi nomeado Comissário Régio. Comandou no ano de 1897, as campanhas de ocupação colonial de Naguema em 3 de Março, Mocutumudo em 6 de Março e Macontene em 21 de Julho, regressando a Portugal no fim do ano. Durante dois anos e após recepções calorosas de que foi alvo, viajou pela Europa, (França, Inglaterra e Alemanha), onde foi orador convidado em diversas sociedades em palestras com cobertura da imprensa. No ano de 1898 foi nomeado ajudante de campo do Rei D. Carlos I, oficial -mor da Casa Real e aio do príncipe D. Luís Filipe.
A sua posição extremamente critica face à política e aos políticos da sua época, e em especial aos rumores sobre o seu comportamento quiçá desumano durante as campanhas de África, levaram à sua progressiva ostracização, envolvido num crescente clima de intriga; sentindo-se, talvez incapaz devido à sua formação civil e militar extremamente rígida, ao seu feitio orgulhoso, de resistir às intrigas acerca do seu comportamento em África, à decadência agoniante da monarquia, Mouzinho de Albuquerque, soube preparar minuciosamente a sua morte, suicidando-se no interior de um coupé, na cidade de Lisboa no ano de 1902, com o posto de Major.
Devido aos valorosos feitos em África, foi feito patrono da Arma de Cavalaria do Exército Português, sendo apontado com um exemplo para os militares que servem aquela arma.

F I M
Bibliografia: “O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal. Trechos avulsos wikipedia.
Óbidos, 3 de Fevereiro de 2010.

Junto anexa-se um conjunto de estrofes que são propriedade de Carlos de Azevedo Fraxêdas, e editores Azevedo, Rodrigues & Silva, editados no ano de 1902, sobre o tema SAUDADE ao Valente Herói Português – Tenente - Coronel Joaquim Mouzinho de Albuquerque.


I
Está o País de luto
Pela morte d´um valoroso,
Suicidou-se major Mouzinho
Que p´ra Pátria foi prestimoso.
II
Foi na estrada de Benfica
Que ele ali se suicidou,
Pegando no seu revolver
Um só tiro disparou.
III
No Paço na refeição
Esteve bem despreocupado,
Saiu depois a seu passeio
Sem nada se ter notado.
IV
O cocheiro, belo moço
Que o coupé ele guiava,
Ao ouvir o estampido
Em altos gritos bradava.
V
Socorro, venham depressa
Ver o caso sucedido,
Mouzinho de Albuquerque
Neste coupé estendido.
VI
Ao circular o boato
D´esta tragédia final,
Correram, logo os seus amigos
Em direcção ao hospital.
VII
Foi um cena comovente,
Que a todos entristeceu
Oh, saber-se em Lisboa
Que Mouzinho que morreu !!!
VIII
Almoçou bem satisfeito
Esta infeliz criatura,
Era a última refeição
Da sua morte prematura.
IX
Quantas vezes nos julgamos,
Na felicidade suprema,
Todavia ninguém diga,
O terminus do seu lema.
X
Oh Pátria que estás de luto
E a bandeira portuguesa,
Perdeste um filho querido
Em coragem e braveza.
XI
Foi um herói a valer
Militar bem prestimoso,
Amou bem a sua Pátria
Mas terminou desditoso.
XII
Estudante de valia
Na Politécnica cursou,
Provou assim nos seus feitos
Que a sua Pátria, bem amou.
XIII
De todos era estimado
Pois ninguém lhe queria mal,
Era amante do seu povo
E, da família Real.
XIV
O seu nome é bem lembrado
Numa plaga singela,
Lembrem-se os meus leitores
Dos feitos de Coolella.
XV
Mui valor e fidalguia
Superior ao grande Sá,
Como homem contemporâneo
Outro igual, nunca haverá.
XVI
Era um esposo modelo
Na sua acção carinhosa,
Se pranteia agora em lágrimas
Sua esposa estremosa.
XVII
Data triste e bem lúgubre
Oito de Janeiro, fatal dia !...
Oremos com bem fervor
Por quem a Pátria estremecia.
XVIII
Quem diria há pouco tempo,
Quando ele viajava,
Sempre alegre e jovial
Que Mouzinho se matava?
XIX
Mouzinho… Mouzinho… Herói
Qual seria a tua alucinação,
Eras feliz, bem amado
E a glória da Nação.
XX
Pertencia à nobre gente
Da cidade de Leiria,
Era um fidalgo distinto
De nobre oleorgarquia.
XXI
O seu quépi, sempre altivo
Qual estrela refulgente,
Dava-lhe ao rosto descoberto
Os sintomas de valente.
XXII
Em viagem pelo Norte,
Do povo foi respeitado
Morreu o querido Mouzinho
Do povo aclamado.
XXIII
A invicta cá do Porto,
Leal em camaradagem,
Está coberto de luto
Também lhe presta homenagem.
XXIV
Nação valente e audaz
Morreu guerreiro poderoso,
Chora a Pátria em voz uníssona
A morte d´um valoroso.
XXV
Choraremos, sua perda
Que nos fez muitas benesses,
Honrou bem a nossa Pátria
Sem pensar, nunca em interesses.
XXVI
Bravo e intimorato,
Tentou contra um potentado
E assim com poucos homens,
Foi o régulo aprisionado.
XXVII
Foram 53 militares
Com esse bravo guerreiro,
Que assim foram a Chaimite
Traze-lo prisioneiro.
XXVIII
Na partida para Chaimite
Que foi numa madrugada,
Partiu o herói Mouzinho
Sem receio de cilada.
XXIX
A sua esposa tão amada
O dolman, lhe descoseu,
E sem o herói isso saber
Escapularios lhe meteu.
XXX
Em pouco tempo regressa
Com vitória e não vencido
Oh! que júbilo tão imenso
Incólume desse perigo.
XXXI
Gungunhana e companheiros
Que inteligência já atem,
Pranteiam a morte do herói
Que os tratará sempre bem.
XXXII
Porque seria o suicídio
Se ninguém lhe queria mal?
Isso nós desconhecemos
Porque não há prova cabal.
XXXIII
A esposa sempre amante
Ao marido aconselhava,
Que servisse bem a Pátria
E à conquista o incitava.
XXXIV
Essa santa e boa esposa
Que do caso não sabia,
Ao saber da triste nova
Com um síncope caía.
XXXV
Não lhe disseram a verdade
Por lhe dar o acidente,
Julgando ela ter sido
Um ataque de repente.
XXXVI
A nossa Família Real
Que no País é estimada,
Chora a perda do extinto,
Que para nós é bem lembrada.
XXXVII
Querida Pátria Portuguesa!!!
Que ao vê-la ninguém se acerque
Morreu teu filho querido
Foi Mouzinho de Albuquerque.
XXXVIII
A sociedade de geografia
Vai-lhe erigir um monumento,
Todos aprovam a ideia
Pois de todos é contento.
XXXIX
Oh Porto leal cidade !!!
Que também foste camarada
Ofertaste a Mouzinho
Um cavalo e uma espada.
XL
Ah D. Maria de Albuquerque
A quem o povo tem afeição,
Já o parlamento aprovou
Para ela uma pensão.
XLI
Foi um enterro imponente
O desse bravo tão amado
Todos os olhos choravam
Desde o general ao soldado.
XLII
Lá descansa sempre em paz
No cemitério dos Prazeres:
Esse bravo militar
Que deixou poucos haveres.
XLIII
Este audaz e grande herói,
Que para nós é bem lembrado,
Como prémio aos seus serviços
Do seu povo, foi amado.
XLIV
Terminemos estes versos,
Erguemos as mãos aos Céus
Olvidemos as saudades
E para o finado, prece a Deus.


F I M















quarta-feira, 31 de Março de 2010

Artigo 16
Centenário da Implantação da República
(1910-2010)
Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010


VINTE ESCUDOS

Marquês de Pombal

A chapa quatro da nota de vinte escudos recai naquela que foi uma das figuras mais controversas e carismáticas da nossa história, o “Marquês de Pombal”.
A nota na parte da frente apresenta a reprodução do medalhão do busto do Marquês de Pombal, existente na estátua equestre de D. José I, e uma vista do Terreiro do Paço; esta estampagem é feita a talhe doce, a vermelho, apresentando os motivos principais do desenho, com aplicação de trabalho geométrico; o fundo de composição simples a duas cores, amarelo e vermelho. No verso, sobre fundo de técnica tipográfica com desenho uniforme, a amarelo, ressalta uma estampagem calcográfica a vermelho com aplicações de guilhoché em linha branca. O papel foi fabricado por a Société Anonyme des Papeteries du Marais et de Saint-Marie de França, quando visto à transparência pela frente, mostra a legenda Banco de Portugal, em letras luminosas, repetida em linhas longitudinais paralelas, ocupando todo o espaço da nota.
Dimensões da nota 156 x 92 mm. Foram emitidas 9 000 000 de notas com a data de 13 de Janeiro de 1925. A primeira emissão é datada de 13 de Outubro de 1927 e a última datada de 27 de Março de 1931. Foi retirada de circulação em 27 de Julho de 1934.
Biografia:
O Marquês de Pombal, de seu nome Sebastião José de Carvalho e Melo, nasceu em Lisboa em 13 de Maio de 1699 e faleceu em Pombal no dia 8 de Maio de 1782, filho de Manuel de Carvalho e Ataíde, fidalgo provinciano, proprietário na região de Leiria e de sua mulher Teresa Luísa Mendonça e Melo. Era o filho mais velho de uma prole de doze irmãos. Na sua juventude estudou Direito na Universidade de Coimbra; mais tarde veio a servir no exército por curto espaço de tempo. Foi um nobre com os títulos nobiliários de, primeiro Conde de Oeiras e depois de Marquês de Pombal, estadista, secretário de Estado do reino, (Primeiro Ministro) no reinado de D. José I entre os anos de 1750 e 1777. Foi o representante do despotismo em Portugal, no século XVIII, vivendo um período marcado pelo iluminismo, desempenhando um papel fundamental na aproximação de Portugal à realidade económica e social que se vivia nos países do norte europeu.Sebastião de Carvalho e Melo casa no ano de 1723, com D. Teresa de Noronha e Boubon Mendonça e Almada, em circunstâncias dúbias, raptando a noiva, uma vez que não era aceite no seio desta família poderosa que o considerava “um mau partido”; integrando-se assim no grupo representante da alta fidalguia. Deste matrimónio não adveio descendência. No ano de 1738, foi nomeado embaixador em Londres. É transferido para Viena de Áustria no ano de 1745. Neste ano e após a morte da primeira mulher contraí matrimónio com a Condessa Maria Leonor Ernestina Daun, advindo uma geração de cinco filhos. No ano de 1749, após a morte de D. João V, o seu herdeiro, D. José I, após uma recomendação de sua mãe nomeia-o ministro dos Negócios Estrangeiros, confiando-lhe gradualmente o controle do Estado. Funda no ano de 1751 o Banco Real, estabelecendo uma nova estrutura para administrar a cobrança de impostos. No ano de 1753 funda a Companhia do Comércio da Ásia Portuguesa. Pelo ano de 1755 já era primeiro-ministro incutindo um governo autoritário, impondo as leis a todas as classes. É neste ano que se cria a primeira região demarcada para a produção do vinho do Porto, assegurando assim a qualidade dos vinhos. Pôs em prática um sem número de reformas com o fim de modernizar o país. No ano de 1755, no primeiro dia de Novembro um enorme terramoto, destrói grande parte da cidade de Lisboa provocando milhares de mortes e arrasando edifícios; este terramoto foi sentido em todo o país. Não sofrendo qualquer dano pessoal, Sebastião de Melo, de imediato se fez acompanhar de arquitectos e engenheiros procedendo de imediato à reconstrução da cidade. A baixa lisboeta foi a que mais sofreu, por conseguinte, a que foi alvo de mais alterações, dando origem àquela que é hoje a “Baixa Pombalina”, com o seu ex-libris, a “Praça do Comércio”. Foi a figura central do governo português durante cerca de trinta anos. Em 1755 foi criada a Companhia Geral do Comércio do Grão - Pará e Maranhão. No ano de 1756, funda a Companhia para a Agricultura do Alto Douro, à qual concede isenções no comércio e nas exportações. No ano de 1758, o rei D. José I, é ferido num atentado, sendo acusados dessa tentativa de regicídio, aqueles que mais ódio lhe transmitiam, a família Távora e o conde de Aveiro, sendo de imediato implicados no atentado e executados, após um rápido e duvidoso julgamento. Todos os bens foram confiscados a favor da coroa. Em 1759 cria a Companhia Geral de Comércio de Pernambuco e Paraíba, no nordeste do Brasil. Nesse mesmo ano inicia a reforma na educação, a qual era privilégio da Companhia de Jesus, expulsando os jesuítas, mandando publicar um alvará que seria a solução para a situação em que se encontrava a educação em Portugal. Ainda nesse ano, D. José I, atribui o título de Conde de Oeiras, a Sebastião de Carvalho e Melo pela sua acção, no desmantelamento dos seus rivais. Nesse mesmo ano, e por iniciativa de Sebastião de Melo, D. José I, mandou expulsar os jesuítas tanto da metrópole, como das colónias procedendo de imediato à confiscação dos bens. Diminui o poder da igreja subordinando o Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) ao Estado. No ano de 1763, transfere o governo geral da colónia brasileira da cidade de S. Salvador para a cidade do Rio de Janeiro, devido ao deslocamento do desenvolvimento e crescimento económico para a região centro sul. Institui no ano de 1765 a “derrama”, que consistia na obrigatoriedade dos mineradores pagarem os impostos atrasados. Foi - lhe atribuído o titulo de Marquês de Pombal, no ano de 1770, tendo governado o país a seu bel prazer até à morte do rei D. José I (1777). Pelo ano de 1773 funda a Companhia Geral das Reais Pescarias do Reino do Algarve. Promulga em Maio de 1773 uma lei que extinguia as diferenças entre cristãos-velhos de cristãos-novos, tornando inválidos todos os anteriores decretos e leis que discriminavam os cristãos-novos. No ano de 1774, funda a vila de Vila Real de Stº. António, na foz do rio Guadiana. Aboliu a escravatura nas Índias portuguesas. Reorganizou e modernizou tanto a marinha como o exército. Introduziu a censura de livros e publicações de carácter político, instituindo a Real Mesa Censória. A censura destaca-se na governação do Marquês de Pombal na destruição e proibição de livros de autores de nomeada como, Voltaire, La Fontaine, Diderot, Rousseau, etc., que eram considerados corruptores da Religião e da Moral. Mas é sem dúvida no campo da economia e das finanças que se procedem às grandes reformas, com a criação de grandes companhias. Em Outubro de 1774 publica um decreto que fazia os veredictos do Santo Ofício dependerem da sanção real; perante esta situação deixaram de se organizar e praticar Autos-de-fé.
Quando a rainha D. Maria I subiu ao trono em 24 de Março de 1777, um dos primeiros actos, consistiu em retirar todos os cargos ao Marquês de Pombal, e deportando-o para uma distância superior a 20 milhas de distância. Com esta atitude a rainha mostrou a sua impiedade para com o Marquês de Pombal, nunca lhe perdoando o processo da família Távora.
Faleceu na vila de Pombal, na sua propriedade na Quinta da Gamela, propriedade herdada de um tio.

F I M
Bibliografia: “O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal. Trechos avulsos wikipedia.
Óbidos, 2 de Fevereiro de 2010.

Publicado no Jornal das Caldas em 31-03-2010

quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Artigo 15
Centenário da Implantação da República (1910-2010)
Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010




VINTE ESCUDOS
José Estevão




Na terceira nota de vinte escudos é distinguida a figura de José Estevão, distinto orador, jornalista e acérrimo defensor da causa liberal.
A frente da nota tem dois fundos impressos; um em íris, outro em azul e vermelho compostos de linhas ondulantes e “moiré”, apresentam a meio da nota um grande ornato em círculo de guilhoché em linha branca e naquelas duas cores, onde se lê o valor da nota por extenso sobreposto ao valor expresso em algarismos; sobre o lado direito uma figura feminina, sentada, alegoria da Geografia e do lado oposto o medalhão com a gravura de José Estevão; este trabalho foi executado pelo professor de Belas-Artes José de Lacerda. O verso tem um fundo impresso tipograficamente em tom claro, irisado de amarelo e verde, com composição na parte superior por um motivo geométrico. Este fundo serve de base ao desenho principal, estampado a talhe doce. O conjunto engloba um trabalho de torno geométrico, estando colocadas em cada um dos lados duas cabeças de Minerva, a meio, de perfil para o centro.
O papel foi fabricado por Société Anonyme des Papeteries du Marais et de Sainte-Marie (França), tendo como particularidade visto à transparência pela frente, no ângulo superior direito uma cabeça feminina com capacete e na parte inferior esquerda a legenda Banco de Portugal.
Dimensões da nota 177 x 116 mm. Foram emitidas 9 730 000 de notas, com as datas de 9 de Agôsto de 1920, 9 de Fevereiro de 1921, 6 de Fevereiro de 1924, 18 de Novembro de 1925, 13 de Abril de 1926 e 3 de Fevereiro de 1927. A primeira emissão, 2 de Novembro de 1921, e a última a 2 de Outubro de 1929. Retirada de circulação em 7 de Abril de 1931.
Biografia:
José Estêvão Coelho de Magalhães, vulgo José Estêvão, nasceu em 26 de Dezembro de 1809 em Aveiro e faleceu em 4 de Novembro de 1862 em Lisboa, com um acidente vascular cerebral. Durante estes 53 anos de vida proferiu cerca de 1500 intervenções parlamentares. No ano de 1810, após a ocupação de Aveiro pelos exércitos napoleónicos o pai foi obrigado a abandonar a cidade, entregando a família aos cuidados da avó materna, até ao ano de 1821, data a partir da qual passou a residir com o pai. Fez os seus estudos preparatórios em Aveiro, tendo sido incentivado por seu pai a abandonar a ideia de ingressar numa carreira eclesiástica.
No ano de 1825, matricula-se no 1º. Ano de Direito na Universidade de Coimbra. Nesta cidade, e devido à instabilidade social e política que se vivia então, envolveu-se nos clubes políticos que formavam o meio académico, destacando-se pela sua eloquência na sua oratória em prol do movimento liberal.
No ano de 1826, integrou o Batalhão Académico, que os estudantes de Coimbra formaram para defenderem o regime liberal.
Decorria o ano de 1826, quando José Estêvão volta a alistar-se no novo Batalhão Académico, agora com o posto de 1º. Cabo, na sequência da Belfastada, onde os liberais se insurgiram contra o governo de D. Miguel. Malograda a intentona, os principais líderes retiraram-se para Londres, entre os quais José Estêvão; o restante do exército liberal composto por 12 000 homens foi obrigado a procurar refúgio na Galiza.
No ano de 1829, segue para a Terceira, onde colaborou com a edição da Crónica da Terceira, sendo o 1º. Periódico que se publicou no arquipélago dos Açores. Em Ponta Delgada foi incorporado no exército de D. Pedro IV, onde embarcou para Portugal, indo desembarcar no Mindelo, no ano de 1832. Notabiliza-se no Cerco do Porto, ficando os académicos encarregados da defesa da Serra do Pilar, a qual foi defendida com muita destreza, apesar de fortemente danificadas as suas fortificações pela artilharia inimiga; os trabalhos de recuperação foram dirigidos debaixo de um acérrimo fogo, conseguindo colmatar as brechas entretanto abertas pelo inimigo; por esta acção foi condecorado com a Ordem da Torre Espada. No ano de 1833, e por diversas ocasiões deu provas de bravura, sendo promovido por distinção a segundo - tenente de artilharia. Terminada a guerra no ano seguinte foi promovido a primeiro - tenente.
No ano de 1836 concluiu com brilho o curso de Direito, deixando para trás a carreira militar, indo exercer advocacia para a cidade do Porto. Foi eleito deputado às Cortes pelo círculo de Aveiro. É por essa altura dado a conhecer no seu juramento as inatas capacidades de orador pela sua eloquência, espantando a Câmara dos Deputados; segundo Bulhão Pato, com, inflexões meigas, terríveis, patéticas, suavíssimas, apaixonadas, arrebatadoras, sendo de imediato notada a sua dramaticidade. No ano de 1837, é pela primeira vez pai de um rapaz a que foi dado nome de Mateus, fruto de “amores de estudante”. No ano de 1838, não se contentando com o que se passava no parlamento, fundou com Manuel de Vasconcelos, o jornal “O Tempo”, onde expressava e propagandeava todas as suas ideias radicais e contrárias às de Rodrigo da Fonseca Magalhães, Costa Cabral e Passos Manuel. É consecutivamente eleito pelo círculo de Aveiro nos anos de 1839 e 1840. No ano de 1842, não consegue ser eleito pelo círculo de Aveiro devido ao facto de endurecer posições contra o instalado cabralismo, vindo contudo a ser eleito por Lisboa/Estremadura. No ano de 1844 adere a mais uma tentativa revolucionária, desta feita liderada por António César de Vasconcelos, a qual obteve apoio do Regimento de Cavalaria nº.4; a José Estêvão foi-lhe dada a tarefa de sublevar as províncias do norte, servindo-se de território espanhol, para progressão no terreno, entrando em Portugal, na zona da Torre de Moncorvo, tentando ao longo do Douro obter adesões, as quais não foram suficientes para uma sublevação geral. Entretanto, foi posta a circular uma portaria que oferecia um prémio de 2.000$000 réis, a quem apresentasse a cabeça de José Estêvão, tal era o incómodo e insegurança que o governo de Costa Cabral vivia. Após este malogro, José Estêvão exila-se em Paris, permanecendo até ao ano de 1846. Quando a revolução da Maria da Fonte provoca a queda dos irmãos Cabral, regressa a Portugal, sendo um dos mentores do reagrupamento dos radicais. Quando em Outubro rebenta a guerra civil da Patuleia, foi integrado no exército patuleia do Alentejo, onde fez toda a guerra, participando na ocupação de Setúbal. No ano de 1851 é novamente eleito por Aveiro ingressando no parlamento, notando-se no seu discurso uma alteração tanto no tom como no seu conteúdo, abandonando a oposição e apoiando as iniciativas governamentais que considerava adequadas. No ano de 1852 é eleito ao parlamento por Lisboa, sendo nos anos seguintes ministerial. No ano de 1856 volta a ser eleito pelo círculo de Aveiro, debruçando-se sobre os assuntos de interesse da sua região. No ano de 1858 casa com D. Rita de Moura Miranda. É pai pela segunda vez no ano de 1859, daquele que seria um homem notável, conhecido por Luís de Magalhães, deputado e ministro Nos anos de 1858-1859 é novamente reeleito por Aveiro, e no ano de 1860 é eleito por Vagos. É neste período que se destaca em prol da zona de Aveiro, com destaque para a construção do novo liceu, a passagem da linha férrea, que ligaria Lisboa ao Porto, a dragagem da barra, obras de melhoramento portuárias e iluminação da costa. É pai pela terceira vez de uma menina a quem deram o nome de Joana. No ano de 1861 é novamente eleito, declarando-se independente de todos os partidos ou coligações. Colabora desde o primeiro número no Jornal “A Liberdade”. Na cidade de Aveiro funda com um grupo de amigos o periódico “Distrito de Aveiro”. No ano de 1862 é eleito Grão-Mestre da Confederação Maçónica Portuguesa, onde colabora activamente.
O seu funeral foi bastante concorrido com milhares de pessoas a acompanharem o féretro até ao cemitério dos Prazeres; as duas câmaras das Cortes fizeram-se representar, assim como as Sociedades das Ciências Médicas de Lisboa e a Sociedade de Geografia de Lisboa e todas as associações e clubes, colégios institutos, etc, onde discursaram as mais diversas personalidades da sociedade, lembrando a memória daquele que foi um ilustre militar, escritor, jornalista, político e em especial um excelente orador e comunicador.

F I M

Bibliografia: “O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal. Trechos avulsos wikipedia.
Óbidos, 28 de Janeiro de 2010.

Publicado no Jornal das Caldas em 24-02-2010.

domingo, 31 de Janeiro de 2010


Artigo 14
Centenário da Implantação da República (1910-2010)
Numária
O Papel-moeda
1910 – 2010
Por: Luís Manuel Tudella


VINTE ESCUDOS

Chapa 2
D. João de Castro



Na segunda nota de vinte escudos, foi lembrada a figura de D. João de Castro, quarto vice-rei da Índia e um dos grandes vultos da história portuguesa do século XVI.
A frente da nota apresenta sobre um fundo rectangular, composto por diversos trabalhos de guilhoché e “moiré”, impresso a três cores; castanho claro, rosa e verde e uma estampagem calcográfica a azul escuro que constitui o suporte do retrato de D. João de Castro. O verso tem o fundo policromo irisado, composto de linhas ondulantes verticais e uma aplicação em “moiré”. Sobre o fundo vê-se uma estampagem a preto, com os motivos principais da composição, a gravura com a vista do Palácio de Sintra, de autoria do gravador do Banco de Portugal, Armando Pedroso, onde sobressai o trabalho de torno geométrico em linha branca constante dos ornatos.
O papel foi fabricado pela casa francesa Société Anonyme des Papeteries du Marais et de Saint-Marie, tendo como marca de água visto à transparência uma cabeça simbólica de mulher de perfil para o centro.
Dimensões da nota 176 x 117 mm. Foram emitidas 5 210 000 de notas com as datas de 12 de Agôsto de 1919, 11 de Novembro de 1919, 5 de Fevereiro de 1920 e 7 de Julho de 1920. A primeira emissão, foi em 3 de Novembro de 1919, e a última em 13 de Dezembro de 1924. Retirada de circulação em 24 de Junho de 1929.
Biografia:
D. João de Castro nasceu em 27 de Fevereiro de 1500, filho de D. Álvaro de Castro e de D. Leonor de Noronha, ele, senhor do Paul de Boquilobo, governador da Casa do Cível e vedor da fazenda dos reis D. João II e de D. Manuel I, e ela, filha do conde de Abrantes D. João de Almeida e de D. Inês de Noronha.
Era fidalgo da Casa real de D. Manuel, onde obteve uma esmerada educação de hábeis mestres, sendo discípulo do matemático Pedro Nunes, o homem mais conhecedor das ciências desses tempos, e condiscípulo do infante D. Luís, filho do rei D. Manuel I. Estudou letras por imposição do seu pai, mas a sua vocação estava destinada ao uso de armas, aspirando à glória; preferiu enveredar pela carreira militar, a qual foi repleta de êxitos, proporcionando-lhe inúmeras glórias. Com apenas 18 anos de idade embarca para Tânger, onde sobre as ordens do seu governador D. Duarte de Meneses, e durante nove anos, dá tantas provas de valentia e valor, que o fez cavaleiro. Retorna ao reinado onde casa com sua prima D. Leonor Coutinho. No ano de 1535, para auxiliar Carlos V, D. João III enviou uma expedição, onde D. João de Castro acompanhou o infante D. Luís, tendo-se distinguido pela sua valentia. Carlos V, após a vitória, quis honrá-lo armando-o cavaleiro, o qual recusou por o ter sido já armado por outras mãos; perante esta situação o imperador mandou entregar a cada capitão da armada 2 000 cruzados, o que também rejeitou, pois via estes feitos como glória e não como prémio. Regressa a Lisboa, onde é recebido por D. João III, concedendo-lhe a comenda de S. Paulo de Salvaterra na Ordem de Cristo. Embarca pela primeira vez para a Índia portuguesa, como soldado, com o seu cunhado D. Garcia de Noronha, nomeado vice-rei, indo substituir D. Nuno da Câmara, levando o seu filho de menor idade D. Álvaro de Castro. Por morte de D. Garcia de Noronha em 1540, ascende ao governo D. Estêvão da Gama; este fez uma expedição ao mar vermelho, até ao Suez com uma armada composta por 12 embarcações de alto mar e 60 embarcações a remos, dando o comando de um dos galeões a D. João de Castro com a patente de capitão. Esta viagem proporcionou a obtenção de um roteiro minucioso, que o ofertou ao infante D. Luís. Regressa a Portugal e como prémio dos serviços prestados é nomeado general da armada no ano de 1543. No ano de 1545, D. João III, nomeia-o governador da Índia, após consulta com o seu irmão o infante D. Luís. Regressa à Índia levando consigo os seus 2 filhos D. Álvaro e D. Fernando. A armada chega a Goa onde teve de pegar em armas contra o Hidalcão, por este se recusar a entregar o prisioneiro Meale; entretanto Hidalcão é derrotado às portas de Goa, vendo-se obrigado a pedir a paz. No ano de 1546 outro incidente surge, a guerra de Diu, promovida por Coge Çofar, que pretendia vingar a derrota sofrida anteriormente. Deste conflito após renhida batalha os portugueses saíram vencidos, tendo D. João organizado nova expedição sob o seu comando, obtendo estrondosa vitória, a qual proporcionou um sem número de prisioneiros e apreensão de diversas armas de artilharia.
Após esta batalha, a fortaleza de Diu encontrava-se totalmente danificada, pelo que D. João escreveu uma carta aos vereadores de Goa a solicitar um empréstimo de 20 000 pardaos para as obras de reedificação; a célebre carta, datada de 23 de Novembro de 1546, em que ele dizia … “que mandara desenterrar seu filho D. Fernando, que os mouros mataram nesta fortaleza, para empenhar os seus ossos, mas que o cadáver fora achado em tal estado, que não se pudera tirar da terra; pelo que o único penhor que lhe restava, eram as suas barbas, que lhe mandava por Diogo Rodrigues de Azevedo”. O povo de Goa respondeu a esta carta com quantia superior à que fora pedida; vendo que tinham um governador humilde, nobre, leal e de grande valor humano para os defender. Após a vitória de Diu e das obras de beneficiação da sua fortaleza, teve novamente de combater Hidalcão que o derrotou. Vai de Goa para Diu e vice-versa em auxílio dessas praças, derrotando o inimigo que se põe em fuga. Entretanto as suas façanhas e proezas pelo Oriente chegam ao conhecimento do rei, que como recompensa o nomeia vice-rei, em carta de 13 de Outubro de 1547, concedendo-lhe uma ajuda de 10 000 cruzados e prorroga-lhe por mais 3 anos o governo da Índia. Ao seu filho Fernando concede-lhe o posto de capitão - mor do mar das Índias; mas estas mercês chegaram tarde demais para o novo vice-rei as poder gozar, pois cansado pelas contínuas guerras, adoeceu gravemente e tendo a noção da sua gravidade, mandou reunir as mais importantes individualidades de Goa incluindo o bispo com o fim de lhes entregar o governo, tecendo as seguintes palavras: “Não terei, senhores, pejo de vos dizer, que ao vice-rei da Índia faltam nesta doença as comodidades que acham nos hospitais o mais pobre soldado. Vim a servir, não vim a comerciar ao Oriente; a vós mesmo quis empenhar os ossos do meu filho, e empenhei os cabelos da barba, porque para vos assegurar, não tinha outras tapeçarias nem baixelas. Hoje não houve nesta casa dinheiro, com que se me comprasse uma galinha; porque nas armadas que fiz, primeiro comiam os soldados os salários do governador, que os soldos de seu rei; e não é de espantar; que esteja pobre um pai de tantos filhos. Peço-vos, que enquanto durar esta doença me ordeneis da fazenda real uma honesta despesa, e pessoa por vós determinada, que com modesta taxa me alimente”.
D. João deixou diversas obras expressas nos seus famosos roteiros: 1- Na viagem para Oriente evidencia os seus invulgares conhecimentos cosmográficos; 2 – O roteiro da costa da Índia, foi elaborado na expedição do vice-rei a Diu; e 3 - O último roteiro no ano de 1541, aquando da viagem do Governador D. Estêvão da Gama, de Goa ao Sinai.
D. João de Castro faleceu em Goa a 6 de Junho de 1548, nos braços de S. Francisco Xavier, sendo sepultado na capela-mor do convento de São Francisco, com o hábito e insígnias de cavaleiro da Ordem de Cristo. No ano de 1576 foram trasladados os restos mortais para o convento de São Domingos de Lisboa.
F I M
Obra consultada “O papel-moeda em Portugal” Banco de Portugal. Trechos avulsos.
Óbidos 17 de Dezembro de 2009
Publicado no Jornal da Caldas da Rainha - 27-01-2010





quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009

Artigo 13
Centenário da Implantação da República (1910-201


Numária - O papel-moeda

VINTE ESCUDOS

Chapa 1




Iniciamos a abordagem às notas de vinte escudos, dum total de dez, que foram emitidas pelo Banco de Portugal, ao longo destes últimos 90 anos. Recaí a primeira emissão na estampagem do retrato do ilustre poeta, romancista, autor dramático, político português, orador de nomeada, Par do Reino, Ministro e Secretário de Estado Honorário Português, Almeida Garrett.
Foi atribuída a chapa 1 a esta nota, em que nos apresenta na frente e ao centro o oval com o retrato de Garrett, ladeando-o as figuras simbólicas da Glória e da Justiça, sobre um fundo multicolor irisado impresso tipograficamente e composto de pontos, linhas ondulantes verticais e trabalho de torno geométrico em linha escura, estando estampado a talhe doce, em tons acastanhados. Em cada lado da nota, observa-se uma cabeça numismática de perfil para o centro. Este retrato é da autoria de Armando Pedroso, gravador oficial do Banco de Portugal. No verso apresenta-nos um fundo rectangular, impresso tipograficamente em cores irisadas, com uma composição em "moiré", sobressaindo um grande ornato, estampado calcograficamente, a azul, com uma aplicação de guilhoché em linha branca.
O papel foi fabricado pela Société Anonyme des Papeteries du Marais et de Sainte-Marie (França), e tem como característica principal e de segurança, vista de frente e por transparência, na parte superior direita, o desenho de uma cabeça simbolizando a Primavera, voltada para a direita, e na inferior, a meio, a legenda Banco de Portugal.
Dimensão da nota 184 x 121 mm. Foram emitidas 2 900 000 notas com as datas de 5 de Janeiro de 1915, 14 de Abril de 1915, 27 de Abril de 1917, 14 de Dezembro de 1917 e 26 de Março de 1918. A primeira emissão, 14 de Outubro de 1916: Última emissão, 12 de Novembro de 1919. Foi retirada de circulação em 24 de Junho de 1929.
Biografia:
João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, vulgo Almeida Garrett, nasceu na cidade do Porto, em 4 de Fevereiro de 1799, filho do selador mor da Alfândega do Porto. Durante a segunda invasão comandada pelo Marechal Soult, a família refugiou-se nos Açores, onde possuía propriedades. Passou a adolescência na ilha Terceira. Aí recebeu uma educação esmerada a ponto de ser destinado à vida eclesiástica, na Ordem de Cristo, por incumbência do seu tio paterno, Frei Alexandre da Sagrada Família, bispo de Malaca e mais tarde de Angra. Foi também aqui que conheceu a sua companheira Luísa Castelo.
- No ano de 1816, vem para a metrópole, (Coimbra) onde se matricula no curso de direito.
- É um participante e activista na revolução liberal de 1820.
-Em 1821, publica “O Retrato de Vénus”, trabalho este que lhe veio causar imensos problemas, considerando-o materialista, ateu e imoral.
- Casa no ano de 1823 com uma jovem senhora de nome Luísa Midosi; exila-se em Inglaterra após a Vilafrancada. Aqui contactou com o movimento romântico, descobrindo a imensa obra de Shakespeare, Walter Scott e outros ilustres autores do mesmo movimento; aproveitou para visitar castelos, igrejas, abadias góticas, enfim um sem número de monumentos de diversos estilos, que vieram em tudo reflectir e influenciar toda a sua obra.
- No ano de 1824 parte para França, onde se radica até 1826. Nesse espaço de tempo escreve “Camões” em 1825, e “Dona Branca” 1826, obras estas consideradas as primeiras da literatura romântica portuguesa.
- Em 1826 regressa a Portugal, dedicando-se ao jornalismo, fundando e dirigindo o jornal diário “O Português” e o semanário “O Cronista”.
- Em 1828 e após o regresso do rei D. Miguel, é forçado a abandonar o País; neste mesmo ano em Inglaterra publica “Adozinda”.
- Nos anos de 1832 e 1833, conjuntamente com Alexandre Herculano e Joaquim António de Aguiar, tomam parte no desembarque do Mindelo e no cêrco do Porto.
Com a vitória do Liberalismo, instala-se novamente em Portugal, após pequena estadia em Bruxelas, desempenhando o cargo de Cônsul Geral e Encarregado de Negócios.
Em Portugal desempenhou cargos políticos de nomeada; nos anos 30 a 40 distinguiu-se como o maior orador nacional. É-lhe atribuída a criação do Conservatório da Arte Dramática, da Inspecção Geral dos Teatros, do Panteão Nacional e do actual Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.
Após a vitória cartista e o regresso de Costa Cabral ao governo, Almeida Garrett, abandona a vida política até 1852; no entanto, em 1850 conjuntamente com mais 50 altas personalidades, subscreve um protesto contra a proposta sobre a liberdade de imprensa, que ficou conhecida por “lei das rolhas”.
A vida de Garrett, foi tão apaixonante quanto a sua obra: Entre os anos 20 e 30 é um revolucionário; distingue-se nas décadas posteriores como um perfeito apaixonado e galanteador, tornando-se uma personagem principesca nos salões mundanos. Separa-se da sua mulher Luísa Midosi, com quem casara com apenas 14 anos de idade, passando a viver com D. Adelaide Pastor até à morte desta, em 1841. Em 1846, elege como sua musa a viscondessa da Luz, Rosa Montufar Infante, inspiradora dos êxtases românticos “Folhas Caídas”.
- No ano de 1851 e por decreto do Rei D. Pedro V, é feito Visconde.
- No ano de 1852 dirige por alguns dias a pasta dos Negócios Estrangeiros, a pedido do Duque de Saldanha, então presidente do governo.
A vasta obra literária de Garrett, no século XIX e grande parte do século XX, foi tida como das mais geniais da língua, só suplantada apenas pela obra de Camões. É considerado o autor mais representativo do romantismo em Portugal.
Obras mais emblemáticas:
Poemas - Hino Patriótico – Porto – 1820; Ao Corpo Académico – Coimbra-1821; Retrato de Vénus – Coimbra – 1821; Camões – Paris – 1825; Dona Branca ou a Conquista do Algarve – Paris – 1826; Adozinda – Londres – 1828; Lyrica de João Mínimo – Londres – 1829; Miragaia – Lisboa – 1844; Flores sem Fruto – Lisboa – 1845; Os Exilados, à Senhora Rosa Caccia – Lisboa – 1845; Folhas Caídas – Rio de Janeiro e Lisboa – 1853; Camões, com estudo de Camilo Castelo Branco – Porto – 1854.
Obras Póstumas - Dona Branca ou a Conquista do Algarve; Magriço ou Os Dez de Inglaterra; Bastardo do Fidalgo; A Anália; Roubo das Sabinas; Afonseida, ou Fundação do Império Lusitano; Poemas Dispersos.
Peças Teatrais - Catão – Coimbra – 1822; Catão – Londres – 1830; Catão – Rio de Janeiro – 1833; O Alfageme de Santarém ou A Espada do Condestável – Lisboa – 1842; Um Auto de Gil Vicente – Lisboa – 1842; Frei Luís de Sousa – 1843; Dona Filipa de Vilhena – Lisboa - 1846; Falar Verdade a Mentir – Lisboa 1846; A Sobrinha do Marquês – 1848.
Obras Póstumas – Um noivado no Dafundo – Lisboa; Átala – 1914; Lucrécia – 1914; Afonso de Albuquerque – 1914; O Amor da Pátria – 1914; La Lezione Agli Amanti – ópera bufa – 1914; Falar Verdade a Mentir – Rio de Janeiro; As Profecias do Bandarra – Lisboa; Os Namorados Extravagantes – 1974.
Romances, Cancioneiros e Contos – Bosquejo da História da Poesia e da Língua Portuguesa – Paris – 1826; Lealdade, ou a Victória da Terceira – Londres – 1829; Romanceiro e Cancioneiro Geral – Lisboa -. 1843; O Arco de Sant´Ana – Lisboa – 1845; Viagens na Minha Terra – Lisboa – 1846.
Obras Póstumas – Helena – Lisboa – 1871; Memórias de João Coradinho – Lisboa 1881; Joaninha dos Olhos Verdes – Lisboa – 1941; História Brasileira – 1956; Cancioneiros de romances – Lisboa – 1987.
Além destas obras mais significativas, deixou-nos um manancial de artigos, ensaios, biografias, folhetos, cartas, diários e discursos, além da sua participação em publicações periódicas.
Publicações Periódicas – Toucador – periódico dedicado às senhoras portuguesas; Heraclito e Democrático; Português – Diário político, literário e comercial; Cronista – Semanário de política, literatura, ciências e artes; Chaveco Liberal; Precursor; Português Constitucional; Entreacto – Jornal de Teatros; Jornal do Conservatório; Jornal das Belas Artes; Ilustração – Jornal Universal.
Almeida Garrett, faleceu em 9 de Dezembro de 1854, na cidade de Lisboa, sendo sepultado no cemitério dos Prazeres.


F I M

Obra consultada “O papel-moeda em Portugal” – Banco de Portugal. Trechos avulsos. Wikipedia.
Óbidos 16 de Dezembro de 2009